Sem inglês você está fora: a visão neoliberal sobre o ensino da língua inglesa e a (des) construção de discursos hegemônicos
Without English you are left out: the neoliberal view on the teaching of the English language and the (de) construction of hegemonic discourses
Palavras-chave:
Ideologia, Hegemonia, Base Nacional Comum Curricular, Neoliberalismo, Ensino da língua inglesaResumo
Podemos considerar o imperialismo linguístico imposto pela língua inglesa ao redor do mundo como um mecanismo
ideológico de dominação. No Brasil, esse processo fica claro diante da imposição do ensino de inglês em todas as escolas
do país a partir do sexto ano do ensino fundamental após a reforma do ensino e implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A relevância profissional do idioma, usada como justificativa para sua obrigatoriedade, sobrepõe-
se a qualquer outra motivação para seu ensino-aprendizagem. O professor deve, com isso, estar ciente dos aspectos hegemônicos que tal imposição carrega, sendo capaz de, por meio de uma docência crítico-reflexiva, refutar os objetivos
unicamente mercadológicos e neoliberais do ensino. Esse artigo tem, portanto, o objetivo de levantar algumas reflexões
acerca da implementação obrigatória do ensino de língua inglesa visando a uma futura pesquisa mais aprofundada sobre
o tema. A pesquisa se baseia em estudos teóricos sobre os conceitos de ideologia e hegemonia segundo, entre outros,
Fairclough (2001) e Van Dijk (2008), o papel emancipatório que Kant (1999), Rousseau (1995) e Freire (1987) atribuem
à aprendizagem crítico-reflexiva e nos estudos de Silva (2017) sobre os aspectos neoliberais que impactam o ensino da
língua inglesa. A partir da análise, estabelece-se a necessidade de aprofundamento e acompanhamento dos processos
de reforma do ensino, nesse caso, com foco na língua inglesa, visando à desconstrução da visão de uma educação com
objetivos unicamente mercadológicos.
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