Os processos diaspóricos até o Quarto de despejo: ecos dissonantes na escrita como resistência. A Construção identitária de Carolina Maria de Jesus
The diasporic processes until the Dwelling Room: dissonant echoes in writing as resistance. The Identity Construction of Carolina Maria de Jesus
Palavras-chave:
Carolina Maria de Jesus, Escrita Feminina Negra, Reminiscências EscravocratasResumo
Por razões históricas e ideológicas, protagonizar a produção da escrita feminina torna-se ainda mais distante, num cenário de mulheres negras, marginalizadas, nascidas e criadas, majoritariamente, em ambientes não letrados, ou quando muito, semialfabetizadas, cujos corpos atuam, por vezes, como único capital simbólico dos sujeitos negros. Na literatura brasileira, as representações da mulher negra, não raro, marcam o sujeito de forma negativa, ancorado em estereótipos que, por sua vez, retomam imagens ligadas ao período do escravagismo, ao corpo-objeto ou corpo-procriação, que supre e serve. Diante da necessidade de ocuparem papeis de protagonismo e do pensar feminismo negro como projeto democrático,
mulheres negras usam a autorrepresentação como recurso de aproximação através da escritas de si, atuando para formar as expressões, antes presas e silenciadas pelas condições históricas, em lugares de disputas e conflitos que atravessam e se reproduzem na cidade. Rompendo barreiras, a negra Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo, relata os ecos dissonantes nas reminiscências escravocratas, presentes em sua construção identitária e nos processos violadores em sua vida e narrativa na diáspora feminina negra, entendendo que embora a cidade seja concebida discursivamente por múltiplos agentes, essa construção se dá de forma assimétrica e hegemônica, pautada na legitimação de determinados saberes e narradores, autorizados a delimitar, marginalizar, deslegitimar e subjugar narrativas, territórios e sujeitos que não ocupem lugares privilegiados na hierarquia social.
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