Educação e segurança pública: a formação continuada policial, a abordagem policial e o “elemento de cor padrão”
DOI:
https://doi.org/10.61565/revista-aquila.i34.891Palavras-chave:
Educação, Direito, Racismo, Abordagem Policial, Polícia MilitarResumo
O presente artigo analisa a produção da desigualdade jurídica no sistema de justiça brasileiro a partir do diálogo entre o Direito e as Ciências Sociais. Parte-se da compreensão histórica da cidadania no Brasil para evidenciar como o reconhecimento formal dos direitos convive com práticas institucionais seletivas. A pesquisa adota abordagem teórico-analítica, fundamentada em autores da sociologia jurídica e da antropologia do direito, com destaque para os estudos sobre igualdade jurídica, moralidades institucionais e ética policial. Argumenta-se que a igualdade perante a lei, embora constitucionalmente assegurada, é operacionalizada de forma diferenciada no cotidiano das instituições, incorporando e reproduzindo desigualdades sociais preexistentes. O artigo demonstra que decisões jurídicas e práticas policiais são orientadas por classificações morais, valores implícitos e critérios extrajurídicos que influenciam o reconhecimento de direitos e a administração de conflitos. A análise evidencia que a desigualdade jurídica não resulta de falhas pontuais, mas constitui elemento estrutural do funcionamento do sistema de justiça, manifestando-se desde as etapas iniciais do contato entre o cidadão e o Estado até a atuação judicial. Conclui-se que a superação desse quadro exige não apenas reformas normativas, mas também a problematização crítica das práticas institucionais e das moralidades que sustentam a seletividade jurídica no contexto brasileiro.
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