Shanté You Stay: a ocupação dos territórios midiáticos pela cultura drag
Shanté You Stay: the occupation of media territories by the drag culture
Palavras-chave:
drag queen, gênero, sexualidade, mídia, higienizaçãoResumo
O artigo parte da compreensão de que há contemporaneamente uma tomada de espaços midiáticos e mercadológicos pelas drag queens e sua cultura. Esse fenômeno teve como epicentro o lançamento do programa estadunidense RuPaul’s Drag Race e sua posterior difusão. Embora as drag queens apresentem uma mescla provocativa dos universos masculinos e femininos em sua performance de gênero, o mercado e a mídia, cada vez mais desejosos de novos públicos e produtos, apropriou-se dessa cultura, adaptando-a e higienizando-a como forma de torná-la um produto vendável, mesmo que para um mercado de nicho. A análise inicia por uma genealogia da cultura drag que aponta esses indivíduos como algo sempre presente na sociedade, mas que, pontualmente aproveitada em décadas anteriores, se apresenta apenas no momento atual como um fenômeno midiatizado. Posteriormente, fornecemos indícios e conjecturas que demonstram a singularidade e a dimensão dessa apropriação midiática das drag queens. No último tópico, ressaltamos as adaptações estéticas e as novas dinâmicas que vêm modificando a cultura drag em busca de mercados cada vez maiores. Através desse percurso, compreendemos que, por mais que as drag queens possam estar emparelhadas às dinâmicas mercadológicas, a performance drag por si já é denunciativa da artificialidade das relações normativas de gênero, identidade e sexualidade, e que essa conquista midiática é proveitosa no sentido de expandir a visão de públicos antes inacessíveis.
Downloads
Referências
AMANAJÁS, Igor. Drag queen: um percurso histórico pela arte dos atores transformistas. Revista Belas Artes, ano 6, no 16, set-dez 2014. Disponível em: [ http://bit.ly/2xSbKyb ]
ANDERSON, C. A cauda longa. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006.
BUTLER, Judith. Gender is Burning: Questions of Appropriation and Subversion. Em Thornham, S. Feminist Film Theory, a Reader, Edinburgh: Edinburgh University Press, 1999.
___________. Problema de Gênero: Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
___________. Bodies That Matter: On the Discursive Limits of Sex. New York: Routledge, 1993.
FOUCAULT, Michel. O corpo utópico. Em: O corpo, as heterotropias. São Paulo: n-1 Edições, 2013.
___________. Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
MUÑOZ, J.E. Disidentifications: Queers of Color and the Performance of Politics. Minneapolis; London: University of Minnesota Press. 1999.
ROBERTS, Frank Leon. There's No Place Like Home: A History of House Ball Culture. WireTap Magazine, 6 de Junho, 2007. Disponível em: [ http://bit.ly/2xgjUQ8 ]
SANTOS, Joseylson Fagner. Meu nome é “Híbrida”: Corpo, gênero e sexualidade na experiência drag queen. Revista Latinoamericana de Estudios sobre Cuerpos, Emociones y Sociedad. ano 4, no9, ago-nov de 2012. Disponível em: [ http:// bit.ly/2xfh2Da ]
___________. Cara, coroa e rainha: gênero no espelho das drag queens. Fazendo Gênero 10, 2013. Disponível em: [ http://bit.ly/2w7C42z ]
SILVA, Felipe González. “It’s Not Personal, It’s Drag”: The Sassy Politics of RuPaul’s Drag Race. MLitt Film and Television Studies. Dissertação, 2015. Disponível em: [ http://bit.ly/2w8tqkw ]
VENCATO, Ana Paula. Confusões e estereótipos: o ocultamento de diferenças na ênfase de semelhanças entre transgêneros. Cad. AEL, v.10, n.18/19, 2003. Disponível em: [ http://bit.ly/2xwBPSc ]








