Metáfora em Lacan e Pêcheux: “Eis aí o que se chama de falar!”

Metaphor in Lacan and Pêcheux: “Now that’s what you call speaking!”

Autores

  • Mariana Mahlmann UFRGS
  • Renata Campello Teitelroit UFRGS

DOI:

https://doi.org/10.61565/trivium.i2.575

Palavras-chave:

Psicanálise, Análise de Discurso, Lacan, Pêcheux, Saussure, Freud

Resumo

O artigo explora a metáfora em Jacques Lacan e Michel Pêcheux. Inspirando-se em Saussure e Freud, os autores defendem que a metáfora não se trata de uma figura de linguagem periférica, mas de uma operação fundamental pela qual o sentido é produzido, subvertendo a noção de uma linguagem transparente e literal. Argumentam que qualquer cadeia significante é articuladora de sentidos. Para Lacan, a significação é um efeito retroativo que se produz a partir do deslizamento da cadeia significante, enquanto o desejo emerge indiretamente, através de formações como a metáfora. Pêcheux, por sua vez, tem a metáfora como um mecanismo discursivo fundamental, forma material do deslocamento do sentido, mostrando que este se constitui como efeito das relações e tensões entre diferentes formações discursivas.

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Biografia do Autor

Mariana Mahlmann, UFRGS

Doutoranda e mestra em Análises Textuais, Discursivas e Enunciativas pelo Instituto de Letras da UFRGS. Graduada em Letras Português/Inglês e pós-graduada em Psicanálise nível lato sensu pela UNISINOS. Membra do DARQ - Grupo de Pesquisa Discurso e Arquivo (UFRGS), liderado pelo Prof. Dr. Fábio Ramos Barbosa Filho. Contato: [email protected]

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Publicado

2026-01-19

Como Citar

Mahlmann, M., & Campello Teitelroit, R. (2026). Metáfora em Lacan e Pêcheux: “Eis aí o que se chama de falar!”: Metaphor in Lacan and Pêcheux: “Now that’s what you call speaking!”. Trivium - Estudos Interdisciplinares, 1(2), 59–72. https://doi.org/10.61565/trivium.i2.575