Maternidade, desejo e escrita: subjetivação do feminino no romance O peso do pássaro morto
DOI:
https://doi.org/10.61565/revista-aquila.i34.355Palavras-chave:
Psicanálise, Literatura, Maternidade, Aline Bei, Escrita femininaResumo
Este artigo investiga os modos de subjetivação do feminino e da maternidade na contemporaneidade por meio da articulação entre psicanálise e literatura, com base no romance O peso do pássaro morto (2017), de Aline Bei. A pesquisa, de natureza qualitativa e de estratégia documental, organiza-se em três eixos: a maternidade narrada fora do ideal normativo, atravessada por violência e ressentimento, os movimentos da protagonista em direção a uma posição desejante e a escrita como forma de elaboração psíquica. A análise evidencia como a maternidade pode ser marcada por impossibilidades e ambivalências, mas também por transformações. A protagonista não representa um ideal, mas um percurso feito de tentativas e de reinvenções. A escrita, em destaque para a escrita feminina neste trabalho, emerge como forma de sustentar modos de vida que escapam às normas, sendo evidenciada como forma política de narrar o contemporâneo. Nesse contexto, a escrita de cartas, frequentemente sem destinatários, se revela como tentativa de simbolizar vivências que não encontram lugar, agregando à proposta de aproximação entre literatura e psicanálise como possibilidade de escuta de experiências marginais.
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