Avaliação da resistência de união ao cisalhamento de cerâmicas monolíticas a um cimento resinoso autoadesivo após diferentes tratamentos de superfície
Programa de Mestrado e Doutorado em Odontologia (2022)
Palavras-chave:
Cerâmica, Cimentos de Resina, Falha de Prótese Dentária, Resistência ao Cisalhamento, ZircôniaResumo
O tratamento da superfície de zircônias tetragonais policristalinas estabilizadas com ítria (Y-TZP) pode levar a resultados promissores em adesão com cimentos resinosos. O objetivo deste trabalho foi avaliar a resistência de união ao cisalhamento de Y-TZP, com diferentes composições e tratamentos de superfície, à um cimento resinoso autoadesivo. Cento e cinquenta blocos pré-sinterizados de Y-TZP com 3 tipos diferentes de translucidez foram selecionados (n=50): 3Y-TZP (3 mol% ítria), 4Y-TZP (4 mol% ítria), e 5Y-TZP (5 mol% ítria). Estas composições foram subdivididas em 5 grupos (n=10), de acordo com o tipo de tratamento da superfície (sílica nanométrica em suspensão coloidal ou glaze) e momento da sinterização (antes ou após a sinterização da Y-TZP): Controle (sem recobrimento), Sílica coloidal/Sinterização, Sinterização/Sílica coloidal, Glaze/Sinterização, Sinterização/Glaze. Além disso, um grupo de vitrocerâmica de dissilicato de lítio (DL) foi utilizado como referência para comparação dos resultados. As amostras dos grupos experimentais e DL foram submetidas ao condicionamento com ácido fluorídrico 9% por 20 segundos, lavadas, secadas e revestidas com primer de silano. Para cimentação, moldes de silicone de adição leve foram preparados e 2 cilindros com cimento resinoso autoadesivo, RelyX U200, foram confeccionados. Após 24 horas, as amostras foram submetidas ao teste de resistência de união por cisalhamento. Os
espécimes foram avaliados em estereomicroscópio para classificação do padrão de fratura. Os testes de Kruskal Wallis e Dunn foram aplicados apara análise das diferenças entre os grupos (p<0,05). Os piores e melhores valores de resistência de união observados foram, de uma forma geral, nos grupos controle e glaze após a sinterização,
respectivamente. Em comparação com grupos dissilicato de lítio e controle, e a aplicação de sílica coloidal apresentou resultados de adesão insatisfatórios a intermediários nas composições de Y-TZP avaliadas. Nos grupos da 5Y-TZP, o momento da sinterização dos tratamentos não influenciou nos resultados (p>0,05), tendo ambos sílica coloidal e glaze aumentado a resistência de união em relação ao controle (p<0,001). Em relação às diferentes composições de Y-TZP, foram detectadas diferenças apenas quando foi realizado recobrimento antes da sinterização. Os padrões de fraturas do cimento foram correspondentes aos resultados de cisalhamento, sendo os piores valores associados a fratura adesiva e os melhores a fratura mista. Em conclusão, o recobrimento de Y-TZP
com sílica nanométrica em suspensão coloidal apresentou resultados insatisfatórios a intermediários. As diferentes composições de 3Y-TZP, 4Y-TZP, e 5Y-TZP apresentam diferenças apenas quando é realizado recobrimento antes da sinterização destas cerâmicas. O tratamento de superfície com glaze pode ser realizado antes da sinterização nas cerâmicas 5Y-TZP para otimização da resistência de união.
Acesso ao texto:
https://drive.google.com/file/d/1MIu1owL062RE55zJl6lDIAPWG0jLW48g/view?usp=drive_link