Manejo da dor, alterações neurosensoriais e custo-eficácia de articaína em odontologia e uso de chatgpt em terapêutica medicamentosa

Programa de Mestrado e Doutorado em Odontologia (2026)

Autores

  • Michelle Alonso Coutinho Universidade Veiga de Almeida

Palavras-chave:

Articaína, Metanálise, Análise custo-benefício, Inteligência artificial, Odontopediatria

Resumo

Com objetivo de avaliar a (i) eficácia, (ii) custo-eficácia e (iii) segurança neurossensorial relacionada ao uso da articaína em procedimentos odontológicos, e (iv) o potencial da inteligência artificial (ChatGPT-3) como
ferramenta de suporte à tomada de decisão clínica em terapêutica medicamentosa. Esta tese é constituída por quatro produtos acadêmicos. O primeiro, uma revisão sistemática com metanálises investigou a eficácia
terapêutica da técnica anestésica única com articaína (TAUA) na redução da necessidade de reanestesia ou anestesia suplementar (ReAn/AnSup) em crianças e adultos. Avaliou-se o risco de viés (ROB2) e, durante a extração de
dados, a eficácia foi comparada à de outras soluções anestésicas locais (SAL) e avaliada em diversos subgrupos – procedimento, arco, dente, idade e número de tubete inicialmente administrados. A certeza da evidência foi avaliada
(GRADE). Considerando os 13 ensaios clínicos randomizados incluídos, apenas 8 foram considerados baixo risco de viés. Com certeza da evidência muito baixa, TAUA apresenta risco semelhante de ReAn/AnSup em comparação com
mepivacaína (RR 0,64 [0,32, 1,31], p=0,22) e menor risco que a lidocaína (RR 0,363 [0,184, 0,715] p<0,003). A taxa geral de ReAn/AnSup foi de 31%, sendo esta demanda mais frequente durante as etapas de acesso pulpar e em
extrações de terceiros molares, com doses variando entre 0.2-4ml. A TAUA é provavelmente suficiente na odontologia — para extrações, dentes posteriores, procedimentos na mandíbula e em crianças — utilizando um único tubete anestésico (RR 0.339 [0.160, 0.720], p<0.05), reduzindo assim a necessidade de ReAn/AnSup. No segundo estudo, avaliou-se, por meio de análise de custo eficácia, o impacto econômico da infiltração bucal (IB) com articaína 4%, em comparação ao bloqueio do nervo alveolar inferior (BNAI) com lidocaína 2%, para procedimentos odontológicos em pacientes pediátricos. A análise foi conduzida a partir de uma coorte hipotética de 10.000 tratamentos, sob as perspectivas do pagador e do prestador de serviços de saúde, no contexto brasileiro. A população-alvo compreendeu crianças de 4 a 10 anos com indicação de exodontia ou terapia pulpar em molares decíduos inferiores. Os dados de eficácia clínica foram obtidos de ensaios clínicos randomizados com baixo risco de viés, utilizando escalas validadas de dor e comportamento infantil. Foram calculados a Razão Custo-Eficácia Incremental (ICER), o Benefício Monetário Líquido (NMB) e a Disponibilidade a Pagar (WTP), considerando os
períodos durante a realização da anestesia local e durante os procedimentos odontológicos. A análise foi realizada no software TreeAge Pro, utilizando um modelo baseado em microssimulação de Monte Carlo. O uso de recursos foi
padronizado em um tubete anestésico e uma agulha por procedimento, com custos obtidos por pesquisa de mercado. A análise probabilística considerou intervalo de confiança de 95% e variação de 10% nos parâmetros, permitindo a construção de curvas de aceitabilidade. A IB com articaína 4% apresentou ganhos incrementais de eficácia associados a pequeno incremento de custo em comparação ao BNAI com lidocaína 2%. O NMB foi significativamente superior para a articaína durante a anestesia e durante a realização de exodontias e terapias pulpares (p<0,001). Não houve diferença entre as técnicas quanto ao NMB durante a anestesia para terapia pulpar (p=0,148). Os resultados indicam que, apesar do pequeno custo incremental, a IB com articaína 4% apresenta
maior benefício econômico, especialmente durante exodontias e terapias pulpares, constituindo uma estratégia custo-efetiva e vantajosa para o controle da dor em odontopediatria. O terceiro produto consiste em uma revisão narrativa que realizou uma análise crítica abrangente das complicações neurossensoriais associadas ao uso de articaína em diversos procedimentos odontológicos, ponderando aspectos farmacológicos, neurotoxicidade intrínseca dos anestésicos locais, variáveis topográficas, rigor da técnica operatória e viés de notificação (efeito de Weber) inerente aos sistemas de vigilância. Os estudos incluídos nessa revisão não sugerem neurotoxicidade intrínseca e exclusiva de 4% de articaína, sendo, provavelmente, as complicações neurossensoriais associadas à vulnerabilidade anatômica, trauma por agulha, técnica de injeção, concentração anestésica e volume administrado e o viés de reporte, uso preferencial da articaína em casos inflamatórios complexos e confusão de relato
relacionada a procedimentos. Por fim, o quarto produto, é um artigo original que analisou o potencial do ChatGPT-3 como ferramenta auxiliar na prescrição medicamentosa em odontopediatria mensurando a precisão, completude,
objetividade e a pontuação total das respostas fornecidas às 45 perguntas sobre a forma terapêutica mais indicada, analgésicos, anti-inflamatórios e anestésicos locais, em diferentes cenários clínicos. Observou-se que a maioria das respostas foi classificada como completamente incorreta em termos de precisão (26,6%) e com baixa completude (51,1%), 95,6% das respostas apresentou excesso de informações irrelevantes, independentemente do grupo de medicamento analisado. As respostas sobre anestésicos locais em comparação aos analgésicos foram significativamente inferiores em termos de precisão, completude e pontuação total demonstrando que o ChatGPT-3 deve ser utilizado com cautela e não deve ser a única fonte de informação utilizada sobre terapêutica medicamentosa em odontopediatria. Pode-se concluir que (i) a TAUA apresenta menor risco Re/AnSup que a lidocaína, e semelhante a mepivacaína com baixa certeza da evidência; (ii) a IB com articaína 4% apresenta um custo
incremental de R$0,68 por procedimento e seus ganhos de NMB variam de 21% a 102%; (iii) as complicações neurossensoriais associadas a articaína provavelmente são multifatoriais, envolvendo fatores anatômicos e relacionados a aplicação da técnica ou à um possível viés de reporte; (iv) clinicamente, o ChatGPT-3 deve ser utilizado com cautela e não deve ser a única fonte de informação utilizada sobre terapêutica medicamentosa em odontopediatria.

Acesso em: https://drive.google.com/file/d/1lt8m7DEeNDIBu6aG2d_2Ayk3dqqnBjl2/view

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Publicado

2026-10-19

Edição

Seção

Textos acadêmicos