Revista Áquila, n. 35, e35010, 2026
ISSN: 1414-8846 | E-ISSN 2317-6474
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Fluxo de trabalho digital guiado integrando aumento de coroa clínica estético e
instalação imediata de implante em paciente com erupção passiva alterada: relato de
caso1
Guided digital workflow integrating esthetic crown lengthening and immediate implant
placement in a patient with altered passive eruption: a case report
Flujo de trabajo digital guiado integrando alargamiento de corona clínica estético y
colocación inmediata de implante en paciente con erupción pasiva alterada: reporte de caso
Débora Pereira Azevedo2
Bruna Soares Pereira3
Jessica de Figueiredo Lopes³
Alexandra Tavares Dias4
Eduardo José Veras Lourenço5
RESUMO
Introdução: O planejamento cirúrgico protético por meio do fluxo de trabalho digital aumenta, de forma
independente, a previsibilidade do aumento de coroa clínica estético e da instalação imediata de implantes;
contudo, relatos que integrem ambos os procedimentos em um único fluxo orientado pela futura posição da
margem gengival e pela posição da junção cemento-esmalte permanecem escassos. Relato de caso: Este relato
descreve o uso combinado e guiado destas duas técnicas cirúrgicas em paciente do sexo feminino, 23 anos, com
erupção passiva alterada e reabsorção cervical externa do incisivo central superior direito sem condições de
restauração. Em sessão única, realizaram-se o aumento de coroa clínica estético e a instalação imediata de
implante com coroa provisória, empregando um duplo guia periodontal e uma guia cirúrgica estática. Após a
osseointegração, um enxerto de tecido conjuntivo subepitelial otimizou o contorno dos tecidos moles
3 Bacharela em Odontologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Odontologia pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected]. ORCID:
0000-0001-9758-2497.
3 Bacharela em Odontologia pela Universidade Veiga de Almeida. Mestra em Odontologia pela Universidade do
Estado do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected] . ORCID: 0009-0002-9333-4925.
4 Bacharela em Odontologia pela Universidade Gama Filho. Mestra em Odontologia pela Universidade Federal
Fluminense. Doutora em Odontologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E-mail:
[email protected]. ORCID: 0000-0001-8175-6341.
5 Bacharel em Odontologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Periodontologia pela
Universidade de São Paulo. Doutor em Periodontologia pela Universidade de São Paulo. E-mail:
[email protected]. ORCID: 0000-0002-7163-8138.
2 Bacharela em Odontologia pelo Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto. Mestra em Reabilitação Oral pela
Universidade Veiga de Almeida. E-mail: [email protected]. ORCID:
0009-0005-3384-209X.
1 Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Veiga de Almeida, sob o CAAE nº
00698318.0.0000.5291, parecer nº 2994074.
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peri-implantares. Resultados: Aos dois anos, observaram-se estabilidade dos tecidos duros e moles
peri-implantares e integração estética com os dentes adjacentes, sem complicações biológicas ou protéticas.
Conclusão: Planejar a arquitetura gengival definitiva antes do posicionamento do implante, ambos guiados na
pré-maxila, pode contribuir para desfechos estéticos previsíveis em situações clínicas desafiadoras.
Palavras-chave: Aumento de coroa clínica. Carga imediata em implante dentário. Erupção dentária. Fluxo de
trabalho.
ABSTRACT
Background: Prosthetically driven surgical planning via a digital workflow independently increases the
predictability of esthetic clinical crown lengthening and immediate implant placement; however, reports
integrating both procedures into a single workflow guided by the future position of the gingival margin and the
cementoenamel junction remain scarce. Case Presentation: This report describes the combined and guided use of
these two surgical techniques in a 23-year-old female patient presenting with altered passive eruption and a
non-restorable external cervical resorption of the right maxillary central incisor. In a single surgical session,
esthetic clinical crown lengthening, and immediate implant placement with provisionalisation were performed
using a dual periodontal guide and a static surgical guide. Following osseointegration, a subepithelial connective
tissue graft was performed to optimise the peri-implant soft tissue contour. Results: At the two-year follow-up,
stability of the peri-implant hard and soft tissues and esthetic integration with the adjacent teeth were observed,
without any biological or prosthetic complications. Conclusion: Planning the definitive gingival architecture
prior to implant positioning, with both procedures guided in the anterior maxilla, may contribute to predictable
esthetic outcomes in challenging clinical situations.
Keywords: Crown lengthening. Immediate dental implant. Tooth eruption. Workflow.
RESUMEN
Introducción: La planificación quirúrgica protésica a través del flujo de trabajo digital aumenta, de forma
independiente, la previsibilidad del alargamiento de corona clínica estético y de la colocación inmediata de
implantes; sin embargo, los informes que integren ambos procedimientos en un único flujo orientado por la
futura posición del margen gingival y por la posición de la unión amelocementaria siguen siendo escasos.
Presentación del Caso: Este informe describe el uso combinado y guiado de estas dos técnicas quirúrgicas en una
paciente de 23 años con erupción pasiva alterada y reabsorción cervical externa en el incisivo central superior
derecho, sin posibilidad de restauración. En una sola sesión quirúrgica, se realizaron el alargamiento de corona
clínica estético y la colocación inmediata del implante con corona provisional, empleando una guía periodontal
doble y una guía quirúrgica estática. Tras la osteointegración, un injerto de tejido conectivo subepitelial optimizó
el contorno de los tejidos blandos periimplantarios. Resultados: A los dos años de seguimiento, se observó
estabilidad de los tejidos duros y blandos periimplantarios y una integración estética con los dientes adyacentes,
sin complicaciones biológicas ni protésicas. Conclusión: Planificar la arquitectura gingival definitiva antes del
posicionamiento del implante, ambos procedimientos guiados en la premaxila, puede contribuir a resultados
estéticos predecibles en situaciones clínicas desafiantes.
Palabras clave: Alargamiento de la corona clínica. Carga inmediata en implante dental. Erupción dentaria. Flujo
de trabajo.
INTRODUÇÃO
A instalação e provisionalização imediata de implantes consolidou-se como opção de
tratamento para a substituição de dentes anteriores unitários na zona estética, oferecendo
vantagens clínicas e centradas no paciente (Meijer et al., 2025; Puisys et al., 2022; Pitman et
al., 2022). Entre elas, destacam-se a redução do tempo total de tratamento, a menor
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morbidade decorrente do menor número de intervenções cirúrgicas, a preservação da
arquitetura dos tecidos moles (Ickroth et al., 2024; Seyssens et al., 2021) e elevados níveis de
satisfação do paciente (Slagter et al., 2021). Além disso, ensaios clínicos randomizados
(Cosyn et al., 2024; Puisys et al., 2022) e revisões sistemáticas demonstraram taxas de
sobrevivência comparáveis às dos protocolos de instalação precoce (Ickroth et al., 2024;
Puisys et al., 2022).
A erupção passiva alterada (EPA) caracteriza-se por margem gengival posicionada
coronalmente à junção cemento-esmalte (JCE) (Goldman; Cohen, 1968). Em consequência,
os dentes acometidos apresentam coroas clinicamente curtas apesar de dimensões anatômicas
normais, pois parte da coroa anatômica permanece recoberta por tecido gengival
(Alpiste-Illueca, 2011).
A prevalência relatada de EPA entre pacientes com exposição gengival excessiva
(EGE) varia de 12% a 35,8% (Volchansky; Cleaton-Jones, 1974; Nart et al., 2014; Andijani;
Tatakis, 2019; Amro et al., 2026). Embora não seja considerada condição patológica, a EPA
pode ter impacto estético substancial. Os pacientes frequentemente relatam preocupação com
a aparência de “dentes pequenos” ou de “sorriso infantil” (Antoniazzi et al., 2017; Mele et al.,
2018). O diagnóstico preciso é essencial para definir a conduta mais adequada. O exame
clínico, incluindo a sondagem transgengival para identificar a JCE, permanece o padrão-ouro
para o diagnóstico da EPA (Mele et al., 2018), enquanto a tomografia computadorizada de
feixe cônico (TCFC) pode servir como recurso diagnóstico auxiliar para avaliar a relação
entre a margem gengival, a crista óssea alveolar e a JCE (Januário; Barriviera; Duarte, 2008;
Beire et al., 2021; Kahn et al., 2024).
Coslet, Vanarsdall e Weisgold (1977) classificaram a EPA em dois tipos (Tipos 1 e 2) e
dois subtipos (Subtipos A e B), propondo recomendações de tratamento conforme cada
apresentação clínica. O tratamento da EPA é exclusivamente cirúrgico e visa expor toda a
coroa anatômica por meio de procedimentos de aumento de coroa clínica. Conforme as
características anatômicas de cada caso, o tratamento pode envolver gengivectomia ou retalho
posicionado apicalmente, com ou sem osteotomia e osteoplastia, para restabelecer a inserção
supracrestal e obter arquitetura gengival estável e estética (Coslet; Vanarsdall; Weisgold,
1977; Mele et al., 2018; Kahn et al., 2024).
O desenvolvimento de guias digitais para instalação imediata de implantes reflete a
convergência de diversos avanços tecnológicos das últimas duas décadas, que transformaram
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um procedimento tecnicamente exigente em uma abordagem mais previsível e orientada pela
prótese. A instalação imediata guiada digitalmente derivou do desenvolvimento mais amplo
da cirurgia de implante assistida por computador. A introdução da TCFC possibilitou a
visualização tridimensional do osso alveolar e das estruturas adjacentes, enquanto o
desenvolvimento de softwares específicos permitiu integrar os dados da TCFC a
escaneamentos de superfície para o planejamento virtual do implante (Tatakis; Chien;
Parashis, 2019).
Inicialmente, o objetivo era transferir com precisão a posição virtual do implante para
o campo cirúrgico por meio de guias individualizadas. A tecnologia estereolitográfica, com
técnicas de fotopolimerização, permitiu produzir guias a partir de imagens e projetos
tridimensionais. Contudo, essas primeiras aplicações concentraram-se em rebordos
cicatrizados, e não em cenários de instalação imediata (Tatakis; Chien; Parashis, 2019). Um
avanço decisivo foi a introdução dos escâneres intraorais (EIO), que permitiram a captura
digital direta das estruturas intraorais e a geração de arquivos STL integráveis aos dados da
TCFC (Ballesteros et al., 2025).
O fluxo digital evoluiu, então, para duas abordagens distintas: a cirurgia estática
assistida por computador, com guias cirúrgicas físicas dotadas de anilhas metálicas, e a
navegação dinâmica, com rastreamento óptico em tempo real. Para a instalação imediata, a
abordagem estática ganhou destaque inicial por proporcionar orientação estável da fresagem
na anatomia desafiadora dos alvéolos frescos (Tomar et al., 2026; Chen et al., 2023; Chandran
et al., 2023).
A instalação imediata de implantes apresenta desafios particulares: controle visual
limitado sem elevação de retalho, risco de deflexão do implante para vestibular durante o
preparo do sítio e necessidade de posicionamento tridimensional preciso para evitar recessão
futura dos tecidos moles (Pitman et al., 2024; Nava et al., 2026). Revisões sistemáticas
estabeleceram que a instalação imediata guiada digitalmente alcança precisão aceitável, com
desvios médios de 0,74 mm na porção coronal, 1,01 mm na apical, 0,50 mm em profundidade
e 2,34° em angulação (Xing; Lin; Lyu, 2025).
Diferentemente da cirurgia de implante, na qual a orientação digital já está bem
estabelecida, o aumento de coroa clínica guiado digitalmente é uma aplicação relativamente
recente, surgida com a ampla disponibilidade de softwares de planejamento acessíveis e de
tecnologias de impressão tridimensional (3D) de baixo custo. A primeira técnica de aumento
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de coroa clínica guiada digitalmente foi descrita por Liu et al. (2018), que introduziram uma
abordagem de guia dupla, com referências independentes para a ressecção gengival e o
recontorno ósseo.
A partir desse conceito, Coachman et al. (2023) descreveram um fluxo digital
avançado para o aumento de coroa clínica estético, com o objetivo de aprimorar o
diagnóstico, a execução cirúrgica e a avaliação pós-operatória na zona estética anterior. O
protocolo empregou uma guia cirúrgica periodontal dupla impressa em 3D, com janelas para
cada dente, cujas margens externa e interna serviram de referência para a osteotomia e a
gengivectomia, respectivamente.
Esses avanços estabeleceram o fluxo digital contemporâneo para o aumento de coroa
clínica, que abrange o escaneamento intraoral, a integração dos conjuntos de dados de TCFC
e de escaneamento de superfície, o planejamento cirúrgico virtual por sobreposição de
imagens e a confecção de guias cirúrgicas individualizadas para transferir com precisão o
planejamento virtual ao campo cirúrgico (Coachman et al., 2023). O primeiro ensaio clínico
randomizado a validar guias digitais para o aumento de coroa clínica estético foi publicado
por Carrera et al. (2023), demonstrando que a abordagem de guia dupla guiada alcançou
desfechos clínicos comparáveis aos da técnica convencional, mantendo parâmetros
periodontais estáveis durante o acompanhamento.
Quando a erupção passiva alterada está presente em pacientes que necessitam de
substituição de dente anterior, a correção da arquitetura gengival torna-se componente
essencial do plano de tratamento. A não correção dos níveis gengivais alterados pode
comprometer a simetria dos tecidos moles peri-implantares e, por fim, o resultado estético,
mesmo quando se obtém posicionamento ideal do implante.
Embora fluxos digitais guiados já tenham sido descritos, de forma independente, para
a instalação imediata de implantes (Tomar et al., 2026; Chen et al., 2023; Chandran et al.,
2023) e para o aumento de coroa clínica estético, relatos que integrem ambos os
procedimentos em um único plano digital orientado pela prótese permanecem escassos
(Rodeja-Vazquez et al., 2025). Em pacientes que apresentam, simultaneamente, erupção
passiva alterada e necessidade de substituição imediata por implante na zona estética anterior,
a integração digital pode facilitar o planejamento global do sorriso, aprimorar a transferência
do projeto virtual ao campo cirúrgico e aumentar a previsibilidade do manejo dos tecidos
duros e moles.
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Portanto, o objetivo deste relato de caso é descrever um fluxo totalmente digital que
combina o aumento de coroa clínica estético guiado para erupção passiva alterada com a
instalação imediata de implante guiada e a provisionalização na zona estética, destacando a
sequência cirúrgica, o protocolo de planejamento digital e os desfechos clínicos de curto
prazo.
MATERIAL E MÉTODO
Paciente do sexo feminino, 23 anos, estudante de Odontologia da Universidade Veiga
de Almeida, compareceu à clínica integrada queixando-se de sensibilidade no dente 11. Após
exame clínico, radiografia periapical e TCFC, diagnosticou-se reabsorção cervical externa
(RCE), classificada como 3-C-p segundo Patel et al. (2018). Iniciou-se o tratamento
endodôntico, conduzido por endodontista experiente, na tentativa de interromper a progressão
da lesão; contudo, não houve sucesso. Consequentemente, indicou-se a exodontia seguida de
instalação imediata de implante e provisionalização.
Clinicamente, observou-se que os dentes anteriores superiores apresentavam tamanho
reduzido, com aparência infantil, característica da erupção passiva alterada (EPA) tipo 1, com
ampla faixa de mucosa queratinizada e gengiva inserida e subgrupo B (Coslet; Vanarsdall;
Weisgold, 1977), como se pode observar nos cortes tomográficos, nos quais a crista óssea se
encontra posicionada no mesmo nível da junção cemento-esmalte, indicando a necessidade
não só de gengivectomia, mas também de osteotomia. Como o posicionamento vertical do
implante se relaciona diretamente à localização da margem gengival, discutiu-se com a
paciente a possibilidade de realizar a instalação imediata do implante concomitantemente ao
aumento de coroa clínica.
A paciente assinou termo de consentimento livre e esclarecido, com autorização
expressa para publicação de imagens, segundo a Resolução nº 466/2012 do CNS,
complementada pela Resolução nº 510/2016 do Ministério da Saúde. O caso também se
encontra incluído no Comitê de Ética da Universidade Veiga de Almeida, Brasil (CAAE
0069831800005291), e na plataforma de Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos
(RBR-8t6c99).
Adotou-se, portanto, um fluxo totalmente digital para permitir o planejamento
simultâneo do aumento de coroa clínica estético e da instalação imediata do implante. As
impressões digitais foram obtidas com escâner intraoral e combinadas aos dados da TCFC por
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sobreposição de imagens. O planejamento virtual foi realizado para estabelecer a arquitetura
gengival ideal antes de definir a posição tridimensional do implante utilizando o programa
Nemostudio (Nemotec S.L., Madrid, Espanha), de acordo com o futuro perfil de emergência
protético. Com base nesse planejamento, projetaram-se e confeccionaram-se uma guia
periodontal dupla e uma guia cirúrgica estática para implante.
A guia periodontal foi projetada conforme o protocolo proposto por Coachman et al.
(2023). As medidas obtidas na TCFC incluíram a distância da JCE à margem gengival e da
JCE à crista óssea alveolar. Essas medidas foram utilizadas para determinar a margem
gengival planejada e a quantidade de recontorno ósseo conforme o fenótipo periodontal da
paciente. Seguindo os parâmetros biológicos propostos por De Rouck et al. (2009),
planejou-se uma distância de 3 mm entre a futura margem gengival e a crista óssea alveolar
para esse fenótipo espesso-festonado (Tipo B) (Zhao et al., 2023). Consequentemente, a
distância entre as margens interna e externa da guia periodontal foi projetada para reproduzir
essa relação durante a cirurgia.
Figura 1 – a) fotografia extra oral inicial. b) fotografia intraoral inicial c) imagem tomográfica, onde se
visualiza lesão cervical invasiva e tratamento endodôntico que não obteve sucesso.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
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Figura 2 – a) posicionamento ápico-coronal do implante, em relação à margem gengival atual. b)
posicionamento do guia duplo periodontal onde pode-se observar o novo posicionamento ápico-coronal do
implante, baseando-se na futura altura da margem gengival (linha rosa).
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
Após anestesia local com articaína a 4% com epinefrina 1:100.000 (DFL Indústria e
Comércio S.A., Rio de Janeiro, RJ, Brasil), a guia periodontal dupla foi posicionada e
verificou-se o seu assentamento passivo. A margem interna da guia foi utilizada para delinear
a nova margem gengival, e realizou-se gengivectomia em bisel interno com lâmina 15C,
seguida do refinamento do contorno gengival com microtesoura de Castroviejo.
Em seguida, elevou-se retalho de espessura total, expondo o osso alveolar subjacente.
A margem externa da guia serviu de referência para a osteotomia e a osteoplastia necessárias
ao estabelecimento do nível ósseo planejado, realizadas com brocas diamantadas. Durante
todo o procedimento, a guia foi reposicionada repetidamente para verificar a precisão do
recontorno dos tecidos moles e duros.
A conclusão da fase periodontal antes da instalação do implante permitiu posicioná-lo
de acordo com a arquitetura definitiva dos tecidos moles, e não com a margem gengival
pré-operatória.
Figura 3 – a) posicionamento do guia duplo periodontal após anestesia. b) imagem intraoral após
gengivectomia baseada no guia duplo periodontal. c) ponta diamantada esférica n.2, delimitando o limite
máximo de osteotomia vertical.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
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O dente 11 foi então extraído com mínimo trauma e a guia cirúrgica do implante foi
posicionada. O preparo do sítio e a instalação seguiram a posição tridimensional planejada
digitalmente. Instalou-se um implante de 3,5 × 13 mm, Helix Acqua GM, (Neodent, Curitiba,
PR, Brasil), mantendo-se gap vestibular mínimo de 2 mm, preenchido com partículas de
enxerto xenógeno (Cerabone®, Straumann AG, Basileia, Suíça).
Conectou-se um pilar universal pré-fabricado e confeccionou-se a restauração
provisória imediata a partir da coroa clínica natural da paciente. O ajuste oclusal eliminou
contatos cêntricos e excêntricos, assegurando protocolo de provisionalização imediata não
funcional.
Por fim, o retalho foi reposicionado sem tensão e suturado com náilon 6-0 (Techsuture,
Bauru, SP, Brasil), com pontos simples e suspensórios, para obter fechamento hermético da
ferida.
Figura 4 – a) posicionamento do guia cirúrgico estático do implante após realizada a exodontia. b) aferição do
assentamento do guia cirúrgico através da janela de inspeção, onde se percebe o íntimo contato com o incisivo
central esquerdo. c) perfuração com a última fresa da sequência, (3,5mm de diâmetro) com auxílio da chave
redutora. d) inserção de implante Neodent Helix Acqua GM de 3,5 x16,0mm.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
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Figura 5 – a) provisória confeccionada com o próprio dente da paciente e preenchida com resina composta. b)
imagem intraoral da provisória instalada imediatamente, onde o bordo incisal foi posicionado ligeiramente apical
para evitar contato tanto em cêntrica quanto durante os movimentos excursivos, principalmente pelo fato de a
paciente apresentar uma relação de classe II.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
RESULTADOS
As suturas foram removidas após sete dias. Após período de cicatrização de três
meses, a osseointegração transcorreu sem intercorrências e os tecidos peri-implantares
apresentaram cicatrização satisfatória. Entretanto, havia uma deficiência de volume de tecido
mole, classificado com escore 12 (Fürhauser et al., 2005).
Com o objetivo de melhorar a estética e a estabilidade a longo prazo dos tecidos
moles, foi proposta a realização de enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (ETC) para
aprimorar o contorno vestibular dos tecidos moles e otimizar o perfil de emergência (Seyssens
et al., 2021). Embora o ETC pudesse ter sido realizado simultaneamente à instalação do
implante, optou-se intencionalmente por essa reavaliação após 3 meses (Struys et al., 2025).
Essa decisão, consciente e acordada com a paciente, visou evitar o prolongamento do
procedimento cirúrgico inicial, que havia compreendido o aumento de coroa clínico-estético,
incluindo gengivectomia e osteotomia, além da instalação imediata do implante e da
restauração provisória em uma única sessão.
Após mais três meses de maturação dos tecidos moles, obteve-se impressão digital ao
nível do implante. Confeccionou-se um pilar personalizado de zircônia sobre base de titânio
(Ti-base) para suportar coroa de dissilicato de lítio, cimentada adesivamente. Aos dois anos de
acompanhamento, observaram-se tecidos duros e moles peri-implantares estáveis, com
margens gengivais harmônicas, preservação do contorno vestibular e integração estética
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satisfatória com a dentição adjacente. Não se detectaram complicações biológicas ou
protéticas durante o período.
Figura 6 – a) após três meses, reavaliação estética e funcional. Pode-se observar a ausência de volume na região
vestibular com PES=12. b) cirurgia para inserção de enxerto conjuntivo para corrigir a ausência de volume. c)
após 3 meses, prova da infraestrutura em zircônia para maior biocompatibilidade dos tecidos periimplatares. d)
cimentação da coroa definitiva em dissilicato de lítio maquiado.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
Figura 7 – a) imagem intraoral e b) extraoral após 2 anos da primeira cirurgia.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
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Tabela 1 - Cronograma e linha do tempo das etapas clínicas, cirúrgicas e protéticas.
Moment
o /
Tempo
Etapa
Clínica
Procedimentos e Decisões Terapêuticas
Desfecho / Parâmetro
Avaliado
Linha de
Base
( )
𝑇𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙
Diagnóstico e
Tentativa
Conservadora
Queixa de sensibilidade no elemento 11.
Diagnóstico tomográfico de Reabsorção Cervical
Externa (RCE classe 3-C-p) e Erupção Passiva
Alterada (EPA). Classificação de Coslet Tipo 1B.
Tentativa de tratamento endodôntico (sem
sucesso).
Constatação de elemento 11
não restaurável; indicação
de exodontia e reabilitação
peri-implantar integrada ao
aumento de coroa clínica.
Fase
Pré-oper
atória
Planejamento
Digital e
Prototipagem
Escaneamento intraoral (arquivos STL) e TCFC
com afastamento labial (DICOM).
Fusão e planejamento no software NemoStudio.
Definição da nova margem gengival e crista
óssea (regra de 3 mm).
Impressão 3D de guia periodontal dupla e guia
cirúrgica estática para implante.
Obtenção das guias
cirúrgicas individualizadas
para execução sequencial
precisa em sessão única.
Dia da
Cirurgia
( )
𝑇0
Intervenção
Cirúrgica
Integrada em
Sessão Única
Anestesia local e posicionamento da guia
periodontal dupla.
Gengivectomia em bisel interno e retalho total
com osteotomia/osteoplastia guiada.
Exodontia atraumática do 11.
Instalação guiada de implante Helix GM (3,5 ×
13 mm) com ancoragem palatina e infraóssea.
Preenchimento de gap vestibular com
Cerabone®.
Confecção de provisório imediato não funcional
(coroa natural). Sutura náilon 6-0.
Aumento estético de coroa
dos dentes anteriores e
posicionamento
tridimensional do implante
guiado pela arquitetura
gengival definitiva.
7 a 14
dias
Pós-operatóri
o Imediato
Acompanhamento da cicatrização tecidual
inicial.
Remoção de suturas aos 7 dias.
Cicatrização inicial sem
intercorrências infecciosas
ou deiscências de sutura.
3 meses
Fase Plástica
Peri-implantar
Secundária
Avaliação clínica da osseointegração e da
maturação dos tecidos moles.
Realização de Enxerto de Tecido Conjuntivo
(ETC) subepitelial do palato pela técnica de
tunelização/envelope na vestibular do 11.
Ganho de volume e
espessura do tecido mole
peri-implantar para
otimização do perfil de
emergência.
6 meses
Reabilitação
Protética
Definitiva
Moldagem/escaneamento digital ao nível do
implante após 3 meses de maturação do ETC.
Confecção e instalação de pilar personalizado
de zircônia sobre base de titânio (Ti-base) e
coroa cimentada em dissilicato de lítio
Estabelecimento do
contorno protético
definitivo em harmonia
com a margem gengival
restabelecida.
2 anos
( )
𝑇𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙
Preservação
Longitudinal
Avaliação clínica periodontal e peri-implantar
(sondagem, mucosa queratinizada, estética
rosa/branca).
Avaliação radiográfica periapical/tomográfica de
controle.
Estabilidade dimensional
dos tecidos moles e duros,
ausência de complicações
biológicas ou protéticas e
integração estética
harmônica.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
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DISCUSSÃO
Este relato de caso descreve um fluxo digitalmente integrado que combina o aumento
de coroa clínica estético guiado e a instalação imediata de implante guiada em um único
conceito de tratamento orientado pela prótese. Em vez de tratar ambos os procedimentos
como intervenções independentes, o planejamento digital permitiu estabelecer a arquitetura
gengival definitiva antes do posicionamento do implante, assegurando que este fosse instalado
conforme o resultado protético e periodontal planejado. O aspecto central desse fluxo foi que
a correção virtual da arquitetura gengival precedeu o planejamento do implante. Como a
profundidade e a posição vestibulolingual do implante influenciam diretamente o perfil dos
tecidos moles peri-implantares, planejar o implante de acordo com a margem gengival
definitiva, e não com a anatomia pré-operatória, pode contribuir para maior previsibilidade
estética.
Uma justificativa adicional para essa sequência relaciona-se ao diagnóstico da erupção
passiva alterada. No presente caso, a EPA foi identificada durante o exame clínico e
tomográfico abrangente, embora não fosse a queixa principal da paciente. Se o implante
tivesse sido planejado apenas segundo a margem gengival pré-operatória, sem o
reconhecimento da EPA, provavelmente teria sido posicionado mais coronalmente, uma vez
que implantes imediatos costumam ser instalados cerca de 3 a 4 mm apicalmente à margem
gengival existente para permitir um perfil de emergência adequado. A posterior correção dos
níveis gengivais por aumento de coroa clínica teria exposto a restauração implantossuportada
e comprometido a relação estética peri-implantar, podendo impedir a correção harmônica dos
dentes adjacentes. Portanto, estabelecer a arquitetura gengival definitiva antes do
planejamento do implante foi essencial para garantir que a posição do implante
correspondesse ao resultado estético final pretendido, e não à anatomia pré-operatória dos
tecidos moles (Rodeja-Vazquez et al., 2025). Nesse fluxo, a margem gengival definitiva
tornou-se a referência para o posicionamento do implante, em vez de o posicionamento do
implante determinar a arquitetura gengival final.
Embora a orientação digital para o aumento de coroa clínica estético tenha sido
introduzida apenas recentemente, o protocolo proposto por Coachman et al. (2023) e
posteriormente validado no ensaio clínico randomizado de Carrera et al. (2023) demonstrou
que a cirurgia guiada reproduz com precisão os contornos gengival e ósseo planejados. O
presente caso amplia a aplicação desse conceito ao integrar a guia periodontal ao
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planejamento da instalação imediata do implante, no qual o índice PES/WES foi classificado
(Belser et al., 2009) na avaliação de 2 anos.
O aumento dos tecidos moles foi intencionalmente adiado até a fase de
provisionalização. Embora o enxerto de tecido conjuntivo (ETC) possa ser realizado
simultaneamente à instalação imediata do implante, o seu escalonamento reduziu a duração da
cirurgia inicial, ainda permitindo o aprimoramento dos tecidos moles antes da instalação da
restauração definitiva. Essa sequência, planejada em acordo com a paciente, permitiu refinar o
perfil de emergência após a maturação inicial dos tecidos. Uma alternativa seria o uso de
matriz de colágeno durante o procedimento cirúrgico inicial, evitando uma segunda
intervenção e a morbidade do sítio doador. Embora as matrizes de colágeno tenham surgido
como alternativa menos invasiva (Jepsen et al., 2026; Eeckhout et al., 2023) e apresentem
desfechos clínicos favoráveis, a evidência atual, em geral, respalda o ETC autógeno como a
abordagem mais previsível para obter maior espessura de tecido mole e estabilidade
volumétrica de longo prazo ao redor de implantes, sobretudo na zona estética. Assim,
considerando as exigências estéticas da maxila anterior e a pouca idade da paciente, o ETC foi
considerado a opção mais previsível para otimizar o contorno final dos tecidos moles
peri-implantares.
Por se tratar de relato de caso único, o presente estudo não permite conclusões quanto
à superioridade desse fluxo em relação às abordagens convencionais. Ainda assim, ilustra a
aplicabilidade clínica da integração de dois procedimentos guiados digitalmente em uma
sequência de tratamento orientada pela prótese. Estudos clínicos prospectivos são necessários
para avaliar a precisão, a eficiência, os desfechos estéticos e a estabilidade de longo prazo
desse fluxo digital integrado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este relato de caso demonstra que a integração digital do aumento de coroa clínica
estético guiado com a instalação imediata de implante guiada é clinicamente exequível e pode
facilitar o tratamento orientado pela prótese de pacientes que apresentam erupção passiva
alterada e necessidade de substituição imediata por implante na zona estética. Embora estudos
adicionais sejam necessários, esse fluxo pode representar estratégia útil para aprimorar o
planejamento interdisciplinar e alcançar desfechos estéticos previsíveis.
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