Atendimento odontológico a pessoas com Síndrome de Down
Dental care for people with Down Syndrome
Atención odontológica a personas con Síndrome de Down
Maria Eduarda Lima Correia dos Santos1
Leila Cristina dos Santos Mourão2
RESUMO
A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética resultante da trissomia do cromossomo 21, representando a alteração cromossômica mais comum em seres humanos. Indivíduos com SD apresentam características fenotípicas específicas e condições sistêmicas associadas que impactam diretamente sua saúde geral e bucal. No contexto odontológico, destacam-se alterações como atraso na erupção dentária, hipodontia, microdontia, predisposição a doenças periodontais, risco variável de cárie dentária e alta prevalência de más oclusões. Além disso, desafios comportamentais e barreiras no acesso aos serviços de saúde bucal dificultam o atendimento adequado dessa população. Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão de literatura, os principais aspectos relacionados ao atendimento odontológico de pessoas com Síndrome de Down, abordando características bucais, estratégias preventivas, manejo clínico e barreiras enfrentadas no acesso ao tratamento. A partir da análise dos estudos, reforça-se a importância de um atendimento multiprofissional, humanizado e adaptado às necessidades individuais desses pacientes, visando promover a saúde bucal e melhorar sua qualidade de vida. Palavras-chave: Síndrome de Down. Atendimento Odontológico. Doença Periodontal. Cárie Dentária. Acesso aos Serviços de Saúde.
ABSTRACT
Down Syndrome (DS) is a genetic condition resulting from trisomy of chromosome 21, representing the most common chromosomal alteration in humans. Individuals with DS present specific phenotypic characteristics and associated systemic conditions that directly affect their overall and oral health. In dentistry, common findings include delayed tooth eruption, hypodontia, microdontia, increased susceptibility to periodontal disease, variable risk of dental caries, and a high prevalence of malocclusions. Furthermore, behavioral challenges and barriers to accessing oral healthcare services hinder adequate care for this population. This study aims to analyze, through a literature review, the main aspects related to dental care for people with Down syndrome, addressing oral characteristics, preventive strategies, clinical management, and barriers to treatment access. Based on the analysis of the literature, the importance of a multidisciplinary, humanized, and individualized approach is emphasized to promote oral health and improve the quality of life of these patients. 1Graduada em Odontologia, Universidade Veiga de Almeida (UVA). E-mail: [email protected].
ORCID: 0009-0000-1932-5778.
2Docente Graduação e Stricto sensu Universidade Veiga de Almeida (UVA). E-mail: [email protected].
ORCID: 0000-0002-8682-7580.
Keywords: Down Syndrome. Dental Care. Periodontal Disease. Dental Caries. Access to Health Services.
RESUMEN
El Síndrome de Down (SD) es una condición genética resultante de la trisomía del cromosoma 21 y representa la alteración cromosómica más común en los seres humanos. Las personas con SD presentan características fenotípicas específicas y condiciones sistémicas asociadas que repercuten directamente en su salud general y bucal. En el contexto odontológico, se destacan alteraciones como retraso en la erupción dentaria, hipodoncia, microdoncia, predisposición a enfermedades periodontales, riesgo variable de caries dental y alta prevalencia de maloclusiones. Además, los desafíos conductuales y las barreras de acceso a los servicios de salud bucal dificultan una atención adecuada. Este estudio tiene como objetivo analizar, mediante una revisión de la literatura, los principales aspectos relacionados con la atención odontológica de personas con Síndrome de Down, abordando características bucales, estrategias preventivas, manejo clínico y barreras de acceso al tratamiento. El análisis de los estudios refuerza la importancia de una atención multiprofesional, humanizada y adaptada a las necesidades individuales, con el fin de promover la salud bucal y mejorar la calidad de vida. Palabras clave: Síndrome de Down. Atención Odontológica. Enfermedad Periodontal. Caries Dental. Acceso a los Servicios de Salud.
INTRODUÇÃO
A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética resultante da trissomia do cromossomo 21, sendo a anomalia cromossômica mais comum entre os nascidos vivos (Parker et al., 2010 apud Abed; Taju, 2024). Estima-se que sua prevalência seja de aproximadamente 1 para cada 700 nascimentos, com variações conforme fatores geográficos, genéticos e maternos. A presença de um cromossomo extra leva a alterações no desenvolvimento físico, cognitivo e sistêmico, resultando em um conjunto característico de manifestações clínicas, como face achatada, fissuras palpebrais oblíquas, língua proeminente, hipotonia muscular e comprometimentos cardiovasculares e imunológicos (Abed; Taju, 2024).
Essas alterações sistêmicas e estruturais repercutem diretamente na saúde geral dos indivíduos com SD e, por consequência, em sua saúde bucal. A literatura evidencia particularidades odontológicas nessa população, incluindo atraso na erupção dentária, anomalias dentárias e alterações craniofaciais (Botero et al., 2024). Além disso, fatores imunológicos, microbiológicos e dificuldades no controle do biofilme contribuem para maior suscetibilidade às doenças periodontais, que podem apresentar início precoce e maior gravidade em indivíduos com SD (Ghaffarpour et al., 2024; Rondón-Avalo et al., 2024).
A experiência de cárie dentária nessa população apresenta resultados heterogêneos. Estudos comparativos mostram que a prevalência de cárie pode ser semelhante à observada em indivíduos sem SD, enquanto fatores relacionados ao controle de placa, hábitos e cuidados preventivos podem modificar esse risco (Scalioni et al., 2024; Botero et al., 2024). Outro aspecto frequentemente descrito é a elevada ocorrência de más oclusões e alterações orofaciais, reforçando a necessidade de avaliação ortodôntica individualizada e precoce (Alessandri-Bonetti et al., 2023; Möhlhenrich et al., 2023).
Além dos aspectos biológicos, o atendimento odontológico de pessoas com Síndrome de Down envolve desafios comportamentais e estruturais importantes. A escassez de profissionais capacitados, a falta de acolhimento, as barreiras na comunicação e as dificuldades no acesso aos serviços especializados ainda são relatadas como obstáculos significativos para a manutenção da saúde bucal dessa população (Abed; Taju, 2024; Saitos et al., 2025). Tais desafios reforçam a necessidade de formação profissional voltada para a odontologia inclusiva e para a prática clínica adaptada às necessidades especiais.
Diante desse contexto, torna-se fundamental que cirurgiões-dentistas estejam preparados para oferecer um atendimento humanizado, individualizado e multiprofissional, com estratégias preventivas iniciadas precocemente e acompanhamento contínuo. O estudo da literatura científica disponível sobre o tema permite compreender melhor as particularidades odontológicas dos indivíduos com SD, identificar lacunas existentes e propor caminhos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida desses pacientes.
Assim, este trabalho tem como objetivo revisar a literatura científica sobre o atendimento odontológico a pessoas com Síndrome de Down, abordando suas principais características bucais, estratégias de prevenção e manejo clínico, bem como os desafios enfrentados no acesso aos serviços odontológicos.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Síndrome de Down: aspectos gerais
A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética causada pela trissomia do cromossomo 21, representando a anomalia cromossômica mais frequente entre os nascidos vivos. A presença do cromossomo extra leva a alterações no desenvolvimento físico e cognitivo e está associada a diversas condições sistêmicas, como cardiopatias congênitas, distúrbios endócrinos e imunológicos. Tais condições repercutem diretamente na saúde geral e bucal dos indivíduos, tornando essencial a atuação de uma equipe multiprofissional que inclua o cirurgião-dentista no cuidado integral.
Aspectos odontológicos na Síndrome de Down
Pacientes com SD apresentam alterações odontológicas características, como atraso na erupção dentária, hipodontia, microdontia, fissuras palatinas e bruxismo. Alterações na composição e no fluxo salivar também são relatadas, podendo impactar a microbiota oral e favorecer
inflamações gengivais e periodontais. Essas características exigem do cirurgião-dentista um planejamento clínico diferenciado, tanto em ações preventivas quanto em terapias restauradoras.
Doenças periodontais em indivíduos com SD
A doença periodontal é a condição bucal mais prevalente em indivíduos com SD e tende a apresentar-se de forma mais precoce e agressiva. Crianças e adolescentes com SD apresentam maior suscetibilidade à periodontite, relacionada a fatores como resposta imune alterada, acúmulo de biofilme, alterações salivares e dificuldades de higienização. Tratamentos convencionais, como raspagem e alisamento radicular, são eficazes, porém a manutenção a longo prazo requer acompanhamento frequente e estratégias preventivas individualizadas.
Cárie dentária e alterações oclusais
A prevalência de cárie em pessoas com SD é variável. Alguns estudos indicam índices semelhantes ou menores em comparação com a população geral, enquanto outros apontam maior risco devido às dificuldades na higiene bucal. Más oclusões são extremamente comuns, incluindo mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e prognatismo mandibular, o que impacta diretamente a função mastigatória e a estética, exigindo intervenção ortodôntica individualizada.
Barreiras e desafios no atendimento odontológico
O atendimento odontológico a pessoas com SD enfrenta barreiras significativas, como limitações comportamentais, falta de profissionais capacitados e dificuldades de comunicação. Além disso, há relatos de falta de acolhimento e preparo das equipes de saúde para lidar com as necessidades específicas dessa população. Superar esses desafios exige formação profissional adequada e estratégias voltadas ao atendimento humanizado e inclusivo.
Estratégias de prevenção e manejo clínico
A literatura recomenda a implementação precoce de programas preventivos, com orientação aos cuidadores sobre higiene oral supervisionada e visitas periódicas ao dentista. Medidas como fluorterapia, uso de antissépticos bucais (por exemplo, clorexidina) e técnicas de dessensibilização podem ser eficazes no controle do biofilme e na redução da progressão da doença periodontal. Em casos específicos, sedação consciente ou anestesia geral pode ser necessária, sempre com monitoramento rigoroso. A integração com outras especialidades é fundamental para um plano de cuidado abrangente.
Síntese da literatura e lacunas identificadas
Os estudos analisados indicam que as doenças periodontais constituem o principal desafio odontológico em pessoas com SD, enquanto a prevalência de cárie varia conforme o perfil do paciente e as condições de higiene.
Más oclusões são achados frequentes e requerem atenção ortodôntica especializada. Apesar dos avanços, há necessidade de mais estudos longitudinais que avaliem protocolos preventivos e terapêuticos, bem como pesquisas sobre o impacto de práticas humanizadas e da capacitação profissional na saúde bucal dessa população.
MATERIAL E MÉTODOS
Tipo de Estudo
Trata-se de uma revisão de literatura sistematizada, de caráter qualitativo e descritivo, elaborada com o propósito de identificar, analisar e sintetizar as principais evidências científicas sobre o atendimento odontológico a pessoas com Síndrome de Down, com ênfase nas características bucais, estratégias preventivas, manejo clínico e barreiras enfrentadas no acesso aos serviços de saúde.
Estratégia de Busca
A pesquisa bibliográfica foi conduzida nas seguintes bases de dados eletrônicas: PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Cochrane Library.
Além disso, realizou-se uma busca manual em periódicos especializados e nas listas de referências dos estudos selecionados, a fim de ampliar a abrangência da coleta de dados.
Período e Idioma das Publicações
Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, redigidos nos idiomas português, inglês e espanhol.
Descritores Utilizados
Os descritores foram definidos de acordo com o DeCS/MeSH (Descritores em Ciências da Saúde) e combinados entre si por meio dos operadores booleanos AND e OR.
Os termos utilizados foram:
“Síndrome de Down”;
“atendimento odontológico”;
“Down syndrome”;
“dental care”;
“oral health”;
“periodontal disease”;
“caries”;
“malocclusion”;
“barriers to dental care”.
Critérios de Inclusão e Exclusão
Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem aspectos odontológicos relacionados à Síndrome de Down, incluindo características bucais, prevenção, tratamento e barreiras de acesso aos serviços.
Foram excluídos relatos de caso isolados, revisões narrativas sem metodologia definida, dissertações e artigos que não abordassem diretamente o tema proposto.
Seleção dos Estudos
A triagem inicial foi realizada por meio da leitura dos títulos e resumos.
Os artigos que atenderam aos critérios de inclusão foram analisados na íntegra, sendo excluídos aqueles que não apresentaram dados relevantes ou metodologia compatível com os objetivos da revisão.
Análise dos Dados
A análise dos dados foi conduzida de forma qualitativa e descritiva, buscando identificar convergências e divergências entre os estudos quanto à prevalência das condições bucais, estratégias de manejo clínico e práticas preventivas indicadas para pacientes com Síndrome de Down.
As informações extraídas foram organizadas em tópicos temáticos para posterior discussão e síntese.
Fluxo de Seleção dos Estudos
O processo de seleção dos estudos foi organizado em etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Foram identificados 84 estudos e, após a aplicação dos critérios descritos, 17 estudos compuseram a revisão final. Como o material-fonte não informa quantitativos intermediários validados, esses valores não foram estimados.
Figura 1 – Fluxograma de Seleção dos Estudos.
RESULTADOS
A busca nas bases de dados resultou em um total de 84 estudos, dos quais 17 atenderam aos critérios de inclusão (2020–2025). As publicações analisadas foram predominantemente internacionais, com ênfase em aspectos clínicos, preventivos e sociais do atendimento odontológico de pessoas com Síndrome de Down.
Os resultados foram agrupados em cinco categorias temáticas:
1. Características bucais e salivares;
2. Doenças periodontais e microbioma oral;
3. Cárie dentária e alterações oclusais;
4. Estratégias preventivas e manejo clínico;
5. Barreiras e desafios no acesso ao atendimento odontológico.
Características Bucais e Salivares
As principais alterações bucais descritas em indivíduos com Síndrome de Down incluem hipodontia, microdontia, palato ogival, língua proeminente e atraso na erupção dentária, conforme relatado por Alessandri-Bonetti et al. (2023) e Möhlhenrich et al. (2023). Tais alterações comprometem as funções mastigatória e fonatória, exigindo acompanhamento interdisciplinar.
Quanto à saliva, estudos recentes demonstram alterações relacionadas ao estresse oxidativo. Hamonari (2024) observou níveis salivares significativamente mais elevados de malondialdeído (MDA) em crianças com Síndrome de Down, associados a maior índice gengival, reforçando a possível participação do estresse oxidativo na vulnerabilidade periodontal dessa população.
Doenças Periodontais e Microbioma Oral
A doença periodontal permanece o achado mais recorrente e precoce na população com Síndrome de Down. Rondón-Avalo et al. (2024) confirmaram maior prevalência e severidade da periodontite em comparação à população geral, com início ainda na adolescência.
A literatura associa essa condição a alterações imunológicas e à disbiose microbiana. Mitsuhata et al. (2022) e Willis et al. (2020) demonstraram um microbioma oral menos diversificado e dominado por Porphyromonas gingivalis e Fusobacterium nucleatum, bactérias ligadas à periodontite agressiva.
Ghaffarpour et al. (2024) destacam que fatores imunológicos e microbiológicos contribuem para a maior prevalência, gravidade e recorrência da doença periodontal em indivíduos com Síndrome de Down. Yehia et al. (2024), em revisão sistemática e meta-análise, observaram que a limpeza profissional associada às instruções de higiene oral pode apresentar menor efetividade na redução da profundidade de sondagem em pessoas com SD do que em controles, reforçando a necessidade de monitoramento intensificado e estratégias periodontais individualizadas.
Cárie Dentária e Alterações Oclusais
A prevalência de cárie dentária apresenta variação entre os estudos. Martins et al. (2022) e Elrefadi et al. (2022) descrevem resultados heterogêneos nessa população. Botero et al. (2024) ressaltam que o controle insuficiente do biofilme, as características bucais específicas e as dificuldades relacionadas ao cuidado odontológico podem contribuir para o risco de cárie, indicando que esse desfecho deve ser avaliado individualmente.
Em relação à oclusão, Alessandri-Bonetti et al. (2023) e Möhlhenrich et al. (2023) documentaram altas taxas de mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e prognatismo mandibular, condições que afetam a estética e a mastigação, exigindo atenção ortodôntica individualizada.
Estratégias Preventivas e Manejo Clínico
A literatura recente enfatiza a necessidade de abordagem preventiva precoce, envolvendo orientação aos cuidadores e acompanhamento contínuo.
Richter et al. (2025) e Hung et al. (2025) destacam que o reforço de hábitos de higiene supervisionada e o uso regular de fluoretos são estratégias efetivas para controle do biofilme.
Nos casos de comportamento não colaborativo, recomenda-se manejo comportamental adaptado e, quando clinicamente indicado após avaliação individual, podem ser consideradas técnicas de sedação para viabilizar o atendimento seguro (Yang et al., 2024; Gao; Wu, 2023.
A American Academy of Pediatric Dentistry (2024) reforça que o sucesso do tratamento depende da capacitação profissional e da criação de um ambiente odontológico inclusivo.
Barreiras e Desafios no Acesso ao Atendimento Odontológico
As barreiras de acesso permanecem um obstáculo importante à saúde bucal das pessoas com Síndrome de Down. Saitos et al. (2025) e Hung et al. (2025) relatam falta de profissionais capacitados, estrutura inadequada e dificuldades de comunicação como os principais entraves.
Além disso, uma abordagem individualizada e integrada, articulada com cuidadores e outros profissionais de saúde quando necessário, favorece a prevenção, o acesso ao tratamento e a continuidade do cuidado odontológico de pessoas com Síndrome de Down (Botero et al., 2024; Hung et al., 2025).
Síntese Geral dos Achados
Em síntese, a literatura recente (2020–2025) indica que: a doença periodontal continua sendo a principal condição bucal na Síndrome de Down, de início precoce e evolução agressiva.
As alterações salivares e microbiológicas contribuem para o agravamento dos processos inflamatórios.
A cárie dentária apresenta comportamento variável, dependente de fatores comportamentais e motores.
As más oclusões são frequentes e requerem abordagem ortodôntica especializada.
A prevenção precoce, a educação familiar e a capacitação profissional são fundamentais para um atendimento humanizado e eficaz.
Tabela 1 – Síntese dos principais achados
indicando que esse desfecho deve ser interpretado à luz de fatores individuais, hábitos de higiene, suporte familiar e acesso a medidas preventivas (Martins et al., 2022; Botero et al., 2024; Scalioni et al., 2024). As más oclusões, por sua vez, foram observadas de forma recorrente e associadas a alterações craniofaciais típicas, reforçando a necessidade de avaliação ortodôntica precoce (Alessandri-Bonetti et al., 2023; Möhlhenrich et al., 2023).
No âmbito clínico, os estudos convergem para a necessidade de protocolos preventivos intensificados e acompanhamento odontológico frequente, com ênfase no manejo comportamental, comunicação acessível, participação ativa dos cuidadores e planejamento individualizado (Richter et al., 2025; Hung et al., 2025; Botero et al., 2024).
A metodologia desta revisão - baseada em literatura recente (2020–2025) e em estudos de maior nível de evidência - permitiu identificar não apenas o perfil clínico desses pacientes, mas também lacunas atuais, principalmente quanto a protocolos comparativos de manutenção periodontal e estratificação de risco baseada em biomarcadores. Os resultados, portanto, confirmam a necessidade de um cuidado preventivo intensivo, interdisciplinar e centrado na família, alinhado às especificidades clínicas e comportamentais da SD.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O atendimento odontológico à pessoa com Síndrome de Down requer enfoque preventivo e humanizado, com atenção especial à elevada suscetibilidade às doenças periodontais e às barreiras de autonomia na higiene oral. A literatura demonstra que o sucesso do cuidado depende da manutenção periódica, do envolvimento familiar e da adaptação das condutas clínicas às necessidades funcionais e comportamentais do paciente, assegurando inclusão, acolhimento e qualidade de vida.
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Acesso geral: https://ojs.uva.br/index.php/revista-aquila
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