Percepção e descarte de resíduos sólidos por moradores dos bairros da zona norte e oeste do município do Rio de Janeiro

Programa de Mestrado em Ciências do Meio Ambiente (2021)

Autores

  • Nara Aparecida de Oliveira Vilarim Universidade Veiga de Almeida

Palavras-chave:

Consciência ambiental, Resíduos sólidos urbanos, Percepção, Entrevistas

Resumo

Com o crescimento das zonas urbanas, a geração dos resíduos sólidos urbanos (RSU) passou a ser um problema ambiental em muitas cidades. No Brasil, esse cenário não é diferente, sobretudo nas grandes metrópoles como o Rio de Janeiro. Muitas vezes a percepção da população sobre os resíduos é negativa, a consciência ambiental não é elevada e a participação social na gestão dos resíduos é limitada. Este trabalho tem por objetivo analisar a percepção e consciência ambiental da população da Zona Norte e Oeste do município do Rio de Janeiro sobre o descarte e os problemas ambientais relacionados aos resíduos sólidos para desenvolver recursos de educação ambiental, promovendo a maior participação social na problemática dos RSUs. O perfil socioeconômico e dados relacionados à percepção e descarte de resíduos sólidos foram obtidos através de questionários presenciais e
on-line. Dos 291 entrevistados, 230 responderam através do questionário online e 61 no formato presencial. Trinta por cento dos respondentes residia em bairros da Zona Norte e 70% da Zona Oeste. A maior parte dos entrevistados possuía nível superior completo ou acima (60%) e reconheceram os resíduos como um problema (77%). Apesar disso, o índice de consciência ambiental médio dos entrevistados foi 2,9 (potenciais traços de consciência ambiental). Não foi observada diferença entre gêneros quanto a percepção dos resíduos como um problema [Χ2 (1, n=321) =0,242; p=0,622].Também não foi observada relação entre percepção dos resíduos como um problema e o grau de escolaridade [Χ2 (3, n=288) =1,313; p=0,726] ou a renda [Χ2 (4, n=243) =3,175; p=0,529]; no entanto, a consciência ambiental tende a aumentar com a escolaridade dos entrevistados (Rs=0,194; N=288; P<0,001), bem como com a renda (Rs=0,296; N=243; P<0,001), mas estas duas variáveis estão correlacionadas. Quando avaliada a relação dos hábitos de descarte de resíduos com o grau de consciência ambiental, verificou-se que pessoas com maior consciência ambiental tinham o hábito separar os resíduos para a reciclagem (Rs=0,574; N=291; P<0,001).
Tais resultados motivaram o desenvolvimento de dois produtos inéditos (entrevistas virtuais) e uma compilação de endereços eletrônicos com produtos de diversas naturezas (artigos científicos, blogs, vídeos e sites educativos, entre outros) para informação do público, com o intuito de ajudar a promover o desenvolvimento de consciência ambiental. De maneira geral, este trabalho corrobora com outros desenvolvidos no município do Rio de Janeiro. Apesar de renda e escolaridade se relacionarem à maior consciência ambiental, esta relação é fraca e atividades de
educação ambiental são necessárias para estimular a consciência ambiental e a sua transformação em ações efetivas por parte da população. Também há a necessidade clara de envolvimento de outras esferas do poder público, para facilitar e promover o descarte adequado e práticas mais sustentáveis em relação aos resíduos.

Acesso ao texto:

https://drive.google.com/file/d/1InPeHfqa9sbjdYLJMLmpfdbIccVvzDjB/view

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Publicado

2026-07-01

Edição

Seção

Textos acadêmicos