Édipo entre nós: o destino do complexo freudiano na teoria borromeana de Lacan
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2025)
Palavras-chave:
Psicanálise, Édipo, Estrutura, Nome-do-PaiResumo
O presente trabalho tem como proposta central, investigar o que aconteceu com o Édipo freudiano a partir da elaboração lacaniana, com ênfase para a questão diagnóstica, o que parece ser uma das principais mudanças promovidas na clínica psicanalítica pelas abordagens de Lacan em torno da estrutura no final do seu ensino.
A pesquisa também pergunta sobre a viabilidade do Édipo na contemporaneidade, tendo em vista as mudanças nas estruturas familiares e a influência do discurso capitalista, que promovem a horizontalidade das relações. Contudo, a pesquisa defende que o Édipo é uma estrutura lógica e que as funções materna e paterna são figuras de linguagem, não dependendo de uma figura universal do pai. Portanto, é em outro plano, no nível da estrutura – do inconsciente estruturado como uma linguagem ou do nó borromeu – que a clínica psicanalítica opera e, embora a contemporaneidade possa trazer novas manifestações sintomáticas, a psicanálise não opera no nível do
fenômeno. O Complexo de Édipo, um conceito central na psicanálise, foi estabelecido por Sigmund Freud no início do século XX como fundamental para a constituição do sujeito e a clínica psicanalítica. Freud considerava essa descoberta tão crucial que, mesmo que a psicanálise não tivesse outras realizações, o Complexo de Édipo por si
só garantiria seu lugar entre as conquistas valiosas da humanidade. No entanto, o psicanalista Jacques Lacan fez uma leitura própria do Complexo de Édipo. Em alguns momentos, ele sugeriu que a psicanálise poderia ter se estabelecido sem o mito de Sófocles, Édipo-Rei, paradigma do Complexo e chegou a declarar que o complexo de
Édipo é "estritamente inutilizável" na interpretação analítica. Apesar dessas críticas, Lacan dedicou anos ao estudo do Édipo. Em seus estudos mais tardios, Lacan propôs a topologia do sujeito e a estrutura borromeana, sugerindo que o sujeito pode prescindir do Nome-do-Pai, mas não deixa de se referir ao Édipo como um quarto elo
na estrutura do nó. A hipótese dessa pesquisa conclui que, embora Lacan tenha avançado para a teoria borromeana, é certo que ele sustentou o Édipo até o final de sua obra em razão de sua relevância na estrutura de linguagem e no laço social. Há uma evidente diferença entre o Édipo da metáfora paterna e o Édipo na sua função
de nó, como o quarto elo na cadeia borromeana. Entretanto, as duas formas de abordar o Édipo não são excludentes, uma vez que, a função do Nome-do-Pai se mantém como referência estrutural e até certo ponto indispensável para o diagnóstico diferencial no início de uma análise.
Acesso ao texto:
https://drive.google.com/file/d/1EoKbW8-OdFoYX5elNYh5bS1x059X1BSI/view