Uma experiência psicanalítica no contexto da intubação: voz, sonhos e estímulos externos
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2026)
Palavras-chave:
Psicanálise, intubação, voz, desejo, sonhoResumo
Esta dissertação investiga a atuação da psicanálise junto a pacientes intubados em ambiente hospitalar, a partir de uma experiência clínica vivida no Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ), durante programa de residência nos setores de Cirurgia Cardíaca e Enfermaria Covid-19. Utilizando-se de metodologia qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e relato de casos, buscou-se sustentar que, mesmo diante da suspensão da fala e da imobilidade física, o sujeito permanece atravessado pela linguagem e pelo desejo. Inspirando-se na figura do infans freudiano, aquele que ainda não fala, mas é falado pelo Outro, sustenta-se que o paciente intubado continua sendo sujeito do inconsciente. A análise dos casos revelou que a voz dos familiares, especialmente quando carregada de afeto, foi capaz de provocar reações clínicas e psíquicas significativas. Em alguns casos, sonhos relatados após a extubação
forneceram indícios de atividade psíquica durante a sedação. A voz, concebida como objeto pulsional em Lacan, revelou-se um operador simbólico essencial. Como contribuição prática, propõe-se a criação de um protocolo para que os pacientes possam indicar músicas ou vozes significativas antes de uma possível intubação. A escuta psicanalítica, assim, encontra sua pertinência mesmo onde a técnica tende a silenciar o sujeito.
Acesso ao texto:
https://drive.google.com/file/d/1VmYsgT75R9mwAU3Va8s5P-wijqI5fCnX/view