Discurso capitalista e o mercado da beleza

Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2025)

Autores

  • Nicole Oliveira Rocha Universidade Veiga de Almeida

Palavras-chave:

Discurso capitalista, sociedade de consumo, beleza, imagem corporal, sofrimento psíquico

Resumo

A presente pesquisa propõe investigar a relação entre o discurso capitalista e a beleza, considerando seu papel central na mercantilização da imagem corporal e da aparência estética, processo que consolidou o corpo como objeto de valor e palco dos investimentos do sujeito contemporâneo. No estudo, identificou-se que o discurso capitalista, ao privilegiar relações com o objeto em detrimento do laço social, construiu normas e valores pautados no consumo, na produtividade e no individualismo. A supervalorização da beleza, em oposição à singularidade, configurou-se como um dos principais marcadores de inclusão social, promovendo uma cultura de investimento na imagem corporal. A impossibilidade de alcançar plenamente os ideais estéticos de saúde, magreza e juventude, isto
é, opor-se à natureza finita do corpo, transformou o mal-estar corporal em um sintoma social. Evidenciou-se que esse fenômeno promoveu impactos significativos nos modos de subjetivação contemporâneos, visto que passaram
a se pautar no investimento narcísico no próprio eu, contribuindo para uma cultura de espetacularização do corpo e de busca incessante por validação externa. Nesse cenário, o sujeito converte-se em mercadoria, sendo sua imagem
corporal o principal cartão de visitas. Na cultura vigente, não se adequar às normas estéticas impostas pelo mercado implica em um destino de exclusão e apagamento, em diversos âmbitos da vida. O discurso capitalista, portanto, não apenas produz o mal-estar corporal, como também o intensifica, ao explorar a insatisfação como estratégia de sustentação do mercado, que apresenta o consumo como solução para o sofrimento psíquico. Desse modo, o sujeito se insere em uma busca incessante pelo corpo ideal por meio do consumo, frequentemente recorrendo à práticas prejudiciais pautadas no autocontrole e no autosacrifício, que intensificam o adoecimento em torno de um ideal estético irreal e inatingível. Assim, conclui-se que a cultura de consumo em torno da
beleza apresenta-se como uma manifestação narcísica, em que o sujeito busca reviver, na contemporaneidade, a sensação mítica de completude vivenciada no narcisismo primário. Contudo, trata-se de uma tentativa impossível de preencher o vazio inerente à constituição psíquica, o que revela a propaganda enganosa do consumo como cura para o mal-estar corporal e, consequentemente, contribui para o adoecimento dos indivíduos no meio social.

Acesso ao texto:

https://drive.google.com/file/d/1ok08uFeT5FdFZp3XL9RXZaJ6vY-t4TIJ/view

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Publicado

2026-06-18