Édipo: da estrutura à tragédia

Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2025)

Autores

  • Nadir Campos Vilardo Universidade Veiga de Almeida

Palavras-chave:

Édipo, gozo, tragédia, responsabilidade subjetiva, ato

Resumo

O trabalho investiga a articulação entre estrutura, gozo e responsabilidade subjetiva a partir da releitura lacaniana do complexo de Édipo, tomando como fio condutor a linhagem dos Labdácidas. Examina-se como a estrutura simbólica determina o campo de gozo, como a castração opera a constituição do sujeito e de que modo a insistência
na repetição pode produzir destinos trágicos, tal como exemplificado no percurso de Édipo. Analisa-se a noção de gozo em Lacan, particularmente o mais-de-gozar, o traço unário e o estatuto da repetição, articulando esses conceitos aos impasses que emergem na relação entre determinação e escolha. Discute-se a lógica da perda e a
função do resto como operador clínico e estrutural. A pesquisa demonstra que, embora o sujeito não seja autor da estrutura que o constitui, pode responder pelo modo como maneja seu sintoma, produz desvio ou insiste no circuito da repetição. Sustenta-se que a tragédia evidencia a fidelidade do sujeito aos roteiros significantes que o antecedem e, ao mesmo tempo, a possibilidade de um ponto de ato que introduz uma diferença. A análise da narrativa dos Labdácidas permite articular o problema da transmissão, da determinação simbólica e dos limites da responsabilidade, indicando que a ética psicanalítica não se orienta por normas morais, mas pela relação singular
de cada sujeito com seu desejo. Conclui-se que Édipo não ilustra uma falha do saber, mas a consequência de uma adesão ao já perdido; sua tragédia resulta da insistência em um modo de gozar que o mantém preso ao circuito que o constitui. O estudo sustenta que a responsabilidade subjetiva entendida não como culpa moral ou escolha
consciente, mas como a posição que o sujeito assume diante do desejo e do gozo que o atravessam, isto é, como a resposta que dá ao que insiste nele como resto – articula-se estruturalmente com o sujeito do inconsciente. Tais coordenadas não são incompatíveis, mas se esclarecem mutuamente quando examinadas sob a lógica
estrutural lacaniana.

Acesso em: https://drive.google.com/file/d/1PWTsIrmCtaHsIKAwvWnTegJZuzz5IHj6/view

Downloads

Não há dados estatísticos.

Publicado

2026-10-14