Da falta de tempo à subjetivação da mudança: a perda da experiência na aceleração da atualidade e a ética como resistência subjetiva
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2026)
Palavras-chave:
Tempo, resistência, ética, aceleração, subjetividadeResumo
Este trabalho busca responder três perguntas: qual a relação do tempo dentro das estratégias de poder na atualidade? Qual sua relação com o mal-estar? E quais saídas possíveis podem ser encontradas para a produção de resistências dentro destas estratégias de poder? Com isso, propõe-se um percurso teórico-argumentativo em torno de autores da Filosofia e da Psicanálise para compreender o tempo em sua dimensão subjetiva, ganhando contornos éticos, políticos e clínicos. Também serão utilizados casos clínicos para exemplificar as dinâmicas com o tempo na atualidade. O trabalho incorporará, de maneira parcial em relação às suas teorias, autores que pensam criticamente a relação dos sujeitos com tempo. Num primeiro momento, utilizando Debord e Benjamin, encontra-se a perda da experiência numa Sociedade do Espetáculo, ligada às mudanças na relação com o tempo. O conceito de ideologia será compreendido/incorporado dentro das dinâmicas de saber e poder de Foucault, nas quais Deleuze aponta uma virada para o diagrama de controle do poder. Com Birman, será abordada a relação dessa perda da experiência com o mal-estar, na qual o tempo vai para o espaço. Para pensar o tempo, serão articuladas as teses de Bergson com Deleuze, nas quais se encontram as três sínteses do tempo com as noções presentes em Freud e Lacan sobre pulsão e repetição. Busca-se, nessa articulação, pensar um tempo subjetivo que difira de um tempo cronológico, tempo que é negado aos sujeitos dentro das estratégias de poder. Tais argumentações dão suporte teórico para a discussão sobre as estratégias de resistência, nos termos de Foucault, diante às dinâmicas de poder,
para pensar em outra relação temporal que o sujeito possa produzir para além das acelerações. Aqui, o trabalho de Foucault em torno das práticas de si é fundamental para se pensar uma saída pela ética. A aposta se dá na produção
de sujeitos éticos diante aos ditames morais das dinâmicas de poder estabelecidas. O tempo se torna fundamental por ser condição de resistência, ao mesmo tempo que é produto dela. Conclui-se sobre a importância das estratégias de resistência diante de um mundo cada vez mais adoecido, com destaque para os quadros de ansiedade, ligados diretamente à relação subjetiva com o tempo acelerado, na qual os sujeitos não conseguem fazer frente ao indizível do futuro que se apresenta.
Acesso em: https://drive.google.com/file/d/1da_QC2Vx3sZ-oxhO1p7YoWVXxdV1SDLp/view