A invisibilização das pessoas com deficiência e de suas pautas – um olhar a partir da Psicanálise
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade (2025)
Palavras-chave:
psicanálise, pessoa com deficiência, angústia, castração, capacitismoResumo
A presente Dissertação tem como objetivo investigar os mecanismos que sustentam a invisibilização das pessoas com deficiência e compreender como o capacitismo se manifesta na cultura, na linguagem e nas instituições sociais. Partimos da seguinte indagação: por que outros movimentos sociais contemporâneos ao Movimento de Luta das Pessoas com Deficiência avançaram significativamente na conquista de direitos e na visibilidade midiática, enquanto as pessoas com deficiência seguem sendo sistematicamente apagadas, mesmo contando com uma das legislações mais avançadas do mundo – embora frequentemente ignorada e desrespeitada? Se considerarmos que pautas como a acessibilidade beneficiam amplamente toda a sociedade, especialmente pessoas idosas, o que explica tamanha negligência? Para responder a essas questões, recorremos aos fundamentos da psicanálise, especialmente aos ensinamentos de Freud e Lacan. Defendemos que o capacitismo – termo cunhado nos anos 2000 e introduzido no Brasil em 2011 como tradução de ableism – é um preconceito estrutural contra pessoas com deficiência, baseado em limitações físicas, sensoriais ou cognitivas. Diferentemente do racismo, cuja estruturação se dá por raízes históricas, o capacitismo se estrutura na própria constituição psíquica do sujeito. Conceitos como desamparo, angústia de castração e negação serão fundamentais para compreendermos, sob uma perspectiva psicanalítica, a invisibilização imposta a 7,3% da população brasileira — segundo o Censo do IBGE de 2020/2022 — que vive com algum tipo de deficiência.
Acesso em: https://drive.google.com/file/d/1QvwwF7dqx0ayKdOhalN5iOHWmTkcvB1o/view